Por que o Ômega 3 é o suplemento preferido de grávidas e mães recentes

Pesquisas mostram que consumo dos ácidos graxos presentes no produto é benéfico para a saúde das mulheres e dos bebês

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisa Médica e de Saúde do Sul da Austrália constatou que o consumo de Ômega 3 durante a gravidez pode reduzir significativamente as chances de um parto prematuro. O estudo analisou os períodos de gestação de 20 mil mulheres espalhadas pela Inglaterra, Estados Unidos e Austrália, comparando aquelas que mantinham dietas sem suplementos com as que aumentaram a ingestão dos ácidos graxos no mesmo espaço de tempo.

O resultado foi que essas últimas quase não deram à luz antes da hora. Assim, o estudo concluiu que o Ômega 3 é capaz de reduzir a chance de um bebê nascer antes de 34 semanas em 42%.

Segundo os cientistas, a explicação para isso é que, quando grávidas, é comum que as mulheres produzam hormônios chamados prostaglandinas em maior quantidade do que o normal — eles são responsáveis pelos riscos de um parto prematuro, mas tendem a ter seus efeitos quase anulados pelos ácidos do Ômega 3.

No final, as grávidas que aumentaram as doses do suplemento durante o período tiveram um risco 11% menor de ir para a maternidade antes da hora.

O nome Ômega 3 se deriva do fato do suplemento ter três ácidos graxos essenciais: EPA, DHA e ALA. As duas primeiras siglas se referem a elementos encontrados em animais que possuem um metabolismo especial e que são consumidos com eficiência pelo organismo humano. Já a ALA só se encontra em vegetais, como a linhaça e a chia.

Desde a sua descoberta com os esquimós do Canadá, foram realizadas várias pesquisas nos Estados Unidos sobre os possíveis benefícios do Ômega 3 e, desde então, ele passou a ser indicado por várias áreas da medicina: problemas gastrointestinais, reumáticos, psiquiátricos, metabólicos, renais, dermatológicos e pulmonares. Nos últimos anos, quando se tornou mais conhecido, passou a ser usado também por nutricionistas em dietas prescritas para atletas profissionais e amadores.

“Como são ácidos graxos essenciais, o nosso organismo não os produz. A única forma de consumi-los é por meio da dieta”, afirma o nutricionista Diogo Círico. De acordo com ele, a explicação fisiológica para isso é que o corpo humano não tem uma enzima chamada “dessaturase”, que seria capaz de fabricá-los.

“Os ácidos graxos do Ômega 3 apresentam propriedades neuroprotetoras consideradas potenciais elementos do tratamento e prevenção para alguns tipos de distúrbios neurodegenerativos e neurológicos. Este impacto acontece porque eles atuam nas membranas neuronais e têm um papel importante no processo de envelhecimento cerebral normal”, conta ele.

Além de evitar partos prematuros, o Ômega 3 também pode proporcionar o crescimento e desenvolvimento cerebral do feto: pesquisas científicas já consentem que o EPA e o DHA atuam sobre as funções neuronais, retinianas e imunológicas do bebê em formação na barriga da mãe.

Além disso, depois do nascimento, as mães podem continuar consumindo o suplemento para outros benefícios à saúde dos filhos pequenos: daí em diante, os ácidos graxos passam a contribuir para o desenvolvimento da visão e na prevenção a doenças alérgicas — inclusive alergias alimentares nos primeiros anos do bebê.

“A mãe passa para o bebê, via leite, o Ômega 3 que foi ingerido via suplementação — e isso é ótimo para ambos”, finaliza Círico.

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